Opinião
O papel das cooperativas nos desafios globais
Opinião
Por João Spenthof*
O Dia Internacional do Cooperativismo é celebrado no 1° sábado de julho, que neste ano será no dia 5. Instituído oficialmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1992, é comemorado desde 1995. E no trigésimo ano de celebração, a data terá um gostinho especial, pois 2025 foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional das Cooperativas, em reconhecimento à contribuição das cooperativas para o desenvolvimento sustentável. É a 2ª vez que a ONU decide dedicar um ano internacional às cooperativas, por acreditar que elas podem ajudar a superar desafios globais como as desigualdades sociais e as mudanças climáticas.
O cooperativismo é um modelo de negócio que une pessoas com o mesmo propósito e que trabalham juntas para a melhoria da qualidade de vida dos seus cooperados e das comunidades, promovendo o desenvolvimento econômico e social. Estão organizadas em sete ramos: agropecuário, consumo, infraestrutura, saúde, trabalho, produção de bens e serviços, transporte e crédito, sendo o Sicredi um sistema integrante desse último ramo.
As cooperativas estão no dia a dia das pessoas, que muitas vezes não se dão conta disso e não sabem a diferença que elas podem fazer na vida de comunidades inteiras. A cooperação é uma atitude contagiante, que move milhões de adeptos, que se identificam com seu propósito. Seja qual for o ramo de atuação é unânime dizer que elas provam que o interesse coletivo supera o individual, e que seus benefícios extrapolam fronteiras.
Neste artigo vou me ater aos benefícios gerados pelas cooperativas de crédito, em especial o Sicredi. Para se ter uma ideia, trabalhamos de forma alinhada e comprometida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O primeiro ODS, por exemplo, está relacionado à Erradicação da Pobreza, tem tudo a ver com o trabalho que realizamos. Pesquisas indicam que a presença de cooperativas de crédito nos municípios aumenta o PIB per capita, gera mais empregos e mais estabelecimentos comerciais, estimulam o empreendedorismo e consequentemente contribuem para a redução da pobreza.
O 4° ODS, Educação de Qualidade, é representado no Sicredi pelo programa A União Faz a Vida, que este ano comemora 30 anos de história. O programa beneficiou mais de 5,3 milhões crianças e adolescentes desde o seu lançamento, envolvendo mais de 250 mil educadores, mais de 4,9 mil escolas em mais de 780 municípios de 15 estados brasileiros. São apenas dois exemplos de ODS que nossa atuação impacta diretamente e contribui para a construção de uma sociedade mais justa. Na lista temos também objetivos para a igualdade de gênero, a geração de energia acessível e limpa, fome zero e agricultura sustentável e o combate às alterações climáticas, para os quais temos ações, projetos ou programas, e ainda contribuímos por meio do crédito aos associados.
Podemos dizer, seguramente, que os benefícios do cooperativismo vão além da vida dos associados. Eles contemplam à comunidade por meio de iniciativas que promovem a conscientização sobre esse modelo que é secular no Brasil e que ainda tem muito a contribuir para o desenvolvimento do país. Afinal são mais de R$ 692 bilhões em movimentação financeira pelas cooperativas – segundo dados do Anuário do Cooperativismo 2024, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); mais de 550,6 mil profissionais empregados e mais de 23,4 milhões de cooperados. Sem contar os resultados gerados diretamente para os associados. O Benefício Econômico do Sicredi, por exemplo, chegou a R$ 25,5 bilhões em 2024, o equivalente a uma economia média de R$ 2.931,17 por associado.
Essa é uma pequena demonstração do potencial do cooperativismo para a vida das pessoas e das comunidades, como agente econômico e social que busca uma sociedade mais justa e melhor para todos.
*João Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte e vice-presidente da OCB/MT (Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Mato Grosso).
Opinião
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
-
Várzea Grande3 dias atrásPolícia Federal investiga grupo suspeito de fraudes com crédito consignado e cumpre 13 mandados
-
Política4 dias atrásAumento de penas para furto e roubo de combustíveis segue para a CCJ
-
Política19 horas atrásRegulamentação de ‘filtro de relevância’ para recursos ao STJ vai à sanção
-
Coluna VIP MT5 dias atrásMurilo huff ao vivao na 58 expoagro
-
Cuiabá4 dias atrásEx-chefe de gabinete de Katiuscia Mantelli assume Secretaria de Cultura; Secom segue sem comando
-
Mato Grosso4 dias atrásVITÓRIA PARA O COMÉRCIO; Após articulação de Dr. João, Sefaz amplia para 24 horas prazo de cancelamento de NF-e e CT-e em Mato Grosso
-
Política1 dia atrásComissão da Câmara aprova projeto que declara nulo casamento de menores de 16 anos de idade
-
Várzea Grande6 dias atrásSPA Terapêutico Darlene Marques abre as portas com foco em saúde e qualidade de vida













