Saúde
Hospital Central capacita equipe no Programa de Robótica do Einstein em São Paulo
Saúde
Com o treinamento, unidade ampliará especialidades que operam com robô pelo SUS em MT. Meta é realizar 30 procedimentos por mês
Em abril, uma equipe do Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso passará por um treinamento no Programa de Robótica do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. O objetivo é ampliar o quadro de profissionais aptos a operarem com robô pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Além de urologia, outras especialidades passarão a usar a tecnologia na unidade: ginecologia, cirurgia pediátrica e cirurgia do aparelho digestivo.
Ao todo, 13 profissionais passarão pela capacitação. Serão nove médicos especialistas: três urologistas, dois ginecologistas, dois cirurgiões pediátricos e dois cirurgiões do aparelho digestivo. O time inclui também dois enfermeiros e dois técnicos de enfermagem.
“O treinamento é fundamental para ampliarmos o acesso à cirurgia robótica em Mato Grosso. Nossa meta é alcançar, até a operação plena, uma média de 30 procedimentos por mês”, antecipou a diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor.
Em São Paulo, participarão do programa prático em robótica os ginecologistas, os cirurgiões pediátricos, os cirurgiões do aparelho digestivo e os enfermeiros e técnicos de enfermagem. Os urologistas farão a capacitação em Cuiabá, com o robô instalado no Hospital Central.
Antes das aulas práticas, os 13 profissionais passam por aulas online com treinamentos gerais e de suas áreas cirúrgicas específicas. Já os integrantes da equipe de enfermagem serão treinados em todas as especialidades médicas.
Coordenador do Centro Cirúrgico do Hospital Central, Iuri Tamasauskas explica que a capacitação traz importantes benefícios para a saúde pública do estado. “Primeiro, vamos aumentar o número de cirurgias e de pessoas atendidas. Mas também vamos ampliar nossa eficiência, reduzindo custos. Não haverá mais a necessidade de trazermos um instrutor do Programa de Robótica de São Paulo para acompanhar as cirurgias, pois teremos profissionais habilitados na unidade”, enfatizou.
A primeira cirurgia robótica realizada em Mato Grosso pelo SUS foi em fevereiro, executada pelo urologista Fernando Leão. No final de março, ocorreu o segundo procedimento, também uma prostatectomia radical (retirada total da próstata), para tratamento de câncer. “A cirurgia com uso de robô permite uma recuperação mais rápida e com menos dor para o paciente. Para a equipe que atua no procedimento, há mais precisão na execução, o que garante o melhor resultado possível”, explicou Leão.
O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso é uma unidade de saúde pública do Governo de Mato Grosso que atende 100% pelo SUS. Administrado pelo Einstein, foi inaugurado em dezembro de 2025 e começou os atendimentos em janeiro deste ano.
Sobre o Einstein – O Einstein Hospital Israelita é considerado o 16º melhor hospital do mundo e 1º da América Latina, segundo a última edição do ranking World’s Best Hospitals da revista Newsweek. Com sede em São Paulo, é uma organização filantrópica que leva, há 25 anos, a sua expertise em gestão hospitalar para o SUS. Atualmente, administra 35 unidades públicas, das quais nove são hospitais – um deles o Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, em Cuiabá.
Saúde
Mato Grosso contabiliza 86.102 crianças com obesidade entre 0 e 9 anos em 2025
No próximo dia 3 de junho, quarta-feira, será celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil. A data chama atenção para um problema crescente de saúde pública no Brasil, reconhecido também como um desafio global, e reforça a necessidade da prevenção desde os primeiros anos de vida.
De acordo com os dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode chegar a ser, até 2030, o 5º país no mundo com mais crianças e adolescentes obesos. O estudo também relata que, se não forem tomadas ações reais, as chances de mudar essa situação são de apenas 2%.
O crescimento da obesidade infantil também já é visível nos dados nacionais. Conforme dados do Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, com base nas informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), de 2025 (parcial), do Ministério da Saúde, no Brasil foram registradas 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave.
Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade, o que equivale a 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, ou cerca de 6 em cada 100 nessa mesma faixa etária.
Cenário em MT – Os dados parciais de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) – consultados em 28 de maio de 2026 – mostram que, em Mato Grosso, crianças de 0 a 9 anos apresentam 30% de excesso de peso (incluindo sobrepeso, obesidade e obesidade grave), o que equivale a 30 em cada 100 crianças nessa faixa etária. No mesmo recorte, foram registrados 86.102 casos de excesso de peso infantil no estado.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto.
Risco e prevenção – No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado (eutrofia), representando 62,80% do total — cerca de 63 em cada 100 crianças. Embora a maioria esteja dentro da faixa adequada, o dado também acende um alerta: aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso, obesidade ou obesidade grave, reforçando a necessidade de estratégias preventivas desde a infância.
As principais consequências são: aumento do risco para doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares; impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo”, ressalta dra. Mariana.
Para prevenir a obesidade infantil, a adoção de hábitos saudáveis no dia a dia é fundamental. Segundo a pediatra, manter uma alimentação balanceada, com maior consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, além de diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, é uma das principais recomendações para a prevenção da doença.
A médica ainda destaca que é fundamental praticar atividades físicas regularmente e limitar o tempo em frente às telas, como celulares, TVs e outros aparelhos eletrônicos.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, complementa a dra. Mariana.
Avanço de hábitos alimentares não saudáveis entre crianças – As alterações no padrão alimentar durante a infância têm refletido nos indicadores de saúde e nutrição do país. Informações do SISVAN ressaltam como esses costumes estão se alterando nos primeiros anos de vida, especialmente em relação à qualidade da alimentação.
Conforme os indicadores apresentados, as crianças consomem cada vez mais alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que crescem. Isso mostra que os hábitos alimentares não saudáveis se intensificam ao longo da infância.
“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finaliza a dra. Mariana Grigoletto.
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