Sinop
Prefeitura de Sinop inicia implementação de placas de Comunicação Aumentativa e Alternativa em prédios públicos
Sinop
A Prefeitura de Sinop, por meio da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação, iniciou, na manhã de hoje (30), a implementação da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), que consiste na disponibilização de placas – nas recepções e pontos estratégicos de repartições públicas – para que munícipes não verbais ou que tenham dificuldade de se expressar consigam se comunicar e solicitar os atendimentos desejados. Com isso, Sinop é a primeira cidade de Mato Grosso a iniciar a implementação, nos parâmetros da recente Lei Federal n. 15.249/2025.
Neste primeiro momento, foram instaladas placas em três pontos: recepção da Prefeitura de Sinop, recepção do Gabinete do Prefeito e recepção da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação. A proposta é que a medida seja implementada, de forma gradativa, em outras secretarias municipais, unidades de saúde, escolas e repartições públicas municipais em geral.
Em Sinop, a iniciativa partiu do psicopedagogo, analista de comportamento e empresário, Everton Ranyery, que sugeriu a implementação na cidade à secretária de Planejamento Urbano, Scheila Pedroso, a partir da Lei Federal. “Lá na clínica a gente trabalha com crianças autistas, nível 3 de suporte. Então, todas as nossas crianças têm necessidades complexas de comunicação, não falam, e utilizamos esse recurso básico para comunicação. Visto o trabalho da Scheila em relação às crianças com autismo, e a partir da Lei Federal, no final do ano eu decidi escrever o projeto e apresentar a ela, mostrando a importância de ter isso, já que os municípios terão que implementar aos poucos”, explicou.
Scheila Pedroso conta que prontamente aderiu à proposta e buscou a articulação interna para viabilização. “A nossa Secretaria, como responsável pelos prédios públicos, está encabeçando essa campanha. O projeto veio a mim por meio do empresário. Estamos fazendo o estudo para os prédios públicos, principalmente com foco na saúde, que é onde a gente tem essa limitação até mesmo do paciente se comunicar com o médico, com quem está atendendo, para dizer onde está sentindo dor. Então isso é muito importante no nosso ambiente, essa acessibilidade”, declarou.
A fonoaudióloga e especialista em CAA e Intervenção ABA para Autismo e Deficiência Intelectual, Isabela Horita, que também trabalha em parceria com Everton, orientou como a placa é utilizada na prática. “Nós temos uma placa, uma prancha de baixa tecnologia, e para cada prancha fazemos um estudo investigativo do lugar. Produzimos as palavras e serviços essenciais mais utilizados no dia a dia, que esse público pode ter dificuldade. Então, por exemplo, ‘eu quero ir ao banheiro’, a pessoa aponta naquele símbolo, gerando uma troca comunicativa. O profissional que está ali recebendo essa pessoa vai sinalizar e responder também”, explicou.
Cada local contará com uma placa personalizada e específica, com ilustrações e elementos referentes ao contexto e aos serviços ofertados naquela repartição pública. “Não é uma comunicação padrão. Cada departamento tem um estudo específico para aquele atendimento. Se for na educação, vai ser voltado totalmente para a educação e pedagogia. Na saúde, totalmente voltado para a saúde”, acrescentou Pedroso.
Em ambientes em que não há um servidor atendendo diretamente, a exemplo de praças e parques, Ranyery explicou que as placas contarão com a inserção de um QR Code, que redireciona para um vídeo orientativo sobre como usar o mecanismo para se comunicar e se expressar.
Horita ainda mencionou que, além de autistas, outros públicos também serão beneficiados com essa medida, a exemplo de pessoas com paralisia cerebral, deficiência intelectual ou doenças neurológicas. “Qualquer pessoa que tenha algum prejuízo na comunicação pode utilizar, não só crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou uma pessoa que sofreu um AVC e perdeu a fala”, acrescentou.
O prefeito Roberto Dorner convocou mais empresários e a comunidade em geral a seguirem o exemplo de Everton e trazerem ideias positivas para a cidade. “É bom que os empresários venham conversar com a gente e tragam sugestões. As ideias boas a gente tem que implantar, porque o município necessita de um bom trabalho, uma administração saudável, onde também a sociedade tem que se engajar e participar. Essa ideia nós achamos sensacional, porque realmente eles estão fazendo aquilo que é a necessidade do nosso povo”, pontuou.
Paulino Abreu, vice-prefeito, falou sobre o Executivo Municipal fazer o dever de casa no âmbito da acessibilidade. “A Prefeitura, que é um órgão fiscalizador e que cobra acessibilidade nos prédios públicos e privados, agora vem com essa inovação. A gente sabe que, com diversas situações de dificuldade de comunicação e a lei da acessibilidade, precisamos nos adaptar à demanda e à necessidade, para que todo cidadão tenha o direito de chegar ao local público e poder representar o que precisa. A Prefeitura vai fazer esses estudos para ampliar esse atendimento”, relatou.
Representando o Legislativo Municipal, o vereador Célio Garcia parabenizou a iniciativa. “Sem sombra de dúvida, a Câmara é parceira. Nós, que estamos na comunicação há muitos anos, formados em jornalismo, precisamos dar a essas pessoas que infelizmente passam por essa situação a condição de se manifestar, e essa é uma alternativa que vai proporcionar a elas um atendimento melhor nos setores, nos locais onde essas placas serão colocadas. Então quero enaltecer todos que tiveram a ideia, a Scheila, que conversou conosco sobre o assunto, e o prefeito Roberto Dorner, que não mediu esforços para que o sistema fosse adotado pela nossa cidade e que será ampliado em vários locais do município”, disse.
Nilton Padovan, promotor de Justiça, acompanhou a solenidade de lançamento. “Quando algo nos falta, que é do nosso dia a dia, é muito difícil para nós vivermos assim. Imagine para as pessoas que cotidianamente têm dificuldade com a comunicação? Comunicação, para nós, é o nosso dia a dia, a gente nem percebe como ela ocorre. E, para as pessoas que não têm essa possibilidade, quando elas têm a mínima condição de se comunicar, é de arrepiar o quanto a vida delas aumenta em qualidade, em condições de ter uma vida melhor. Então a Prefeitura e todos os envolvidos estão de parabéns. A Promotoria de Justiça da Infância de Sinop espera que esse projeto não fique só nos órgãos que vão começar agora, mas que se estenda pela educação e pela saúde, possibilitando que os autistas de Sinop e todos os demais que têm dificuldade de comunicação possam se comunicar”, concluiu.
Os materiais, doados em formato digital pela Clínica Lego, serão produzidos e instalados pela Prefeitura em demais repartições públicas municipais. Empresas e a iniciativa privada, de modo geral, também são convidadas a adotar a medida, com o objetivo de ampliar e promover a inclusão social em todos os espaços de Sinop.
Sinop
Prefeitura de Sinop reúne instituições para construir Plano Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher
A Prefeitura de Sinop, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres e da Secretaria de Assistência Social, promoveu um importante encontro, na manhã de hoje (17), com o objetivo de construir propostas para o Plano Municipal de Metas para o Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Participaram da agenda representantes de Secretarias Municipais, Conselhos, Forças de Segurança, Justiça, Sociedade Civil Organizada, além da Rede de Enfrentamento.
Os participantes foram distribuídos em grupos de trabalho, de acordo com a afinidade de atuação de cada um, para discutir os quatro eixos temáticos do Plano: Educação e Comunicação; Atendimento e Segurança Pública; Justiça e Atenção às Vítimas; e Governança.
A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Professora Branca, destacou que a elaboração do plano é uma responsabilidade compartilhada entre o município e as instituições que atuam na rede de proteção. “Estamos reunidos com representantes de várias instituições, do campo e da cidade, associações e órgãos de segurança para debater o Plano Decenal. Essa junção de trabalho, dentro dos quatro eixos propostos pelos planos Nacional e Estadual, está sendo discutida hoje com pessoas relevantes para nos ajudar a controlar esse índice que tem preocupado a gestão e toda a sociedade. Finalizadas as ações, metas e indicadores, o plano será encaminhado ao prefeito para formalização por Decreto e, posteriormente, ao Estado”, explicou.
A gestora de Programas e Projetos, Lauren Menegon, ressaltou que o planejamento será fundamental para ampliar o acesso a investimentos voltados às políticas públicas para as mulheres. “A elaboração desse plano em conjunto com o plano de metas do Governo do Estado é muito importante porque servirá como nosso guia norteador de ações, permitindo buscar recursos junto ao Governo do Estado e ao Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres. O município já desenvolve diversas ações voltadas a essa pauta, mas sabemos que, sem recursos, a execução se torna mais difícil”, afirmou.
Para a presidente da Rede de Enfrentamento, Eliane dos Santos, a ampla participação das instituições demonstra o comprometimento dos agentes e fortalece o planejamento das ações. “Temos aqui diversos representantes das instituições que integram essa rede. Isso mostra a sua força. Não basta apenas realizar as ações, é preciso planejar, colocar no papel, monitorar e avaliar o trabalho. Todas as instituições estão engajadas para enfrentar e combater essa situação de violência, e o resultado virá. Além disso, temos um forte trabalho preventivo com crianças e adolescentes para construir um futuro com menos violência”, destacou.
Representando o Ministério Público de Mato Grosso, o promotor de Justiça, Dr. Pedro Figueiredo, enfatizou que o plano busca garantir a continuidade das políticas públicas, independentemente das gestões. “O Ministério Público ressalta a importância da proteção da mulher em situação de violência doméstica. Estamos construindo um plano de dez anos focado no interesse público, sem pessoalizar ações. O município só tem a ganhar, especialmente as mulheres. Em Sinop existe uma Rede de Enfrentamento muito ágil, muito atuante e conectada para a proteção das vítimas de violência doméstica”, enalteceu.
A delegada da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Dra. Renata Evangelista, reforçou que o planejamento permitirá aperfeiçoar o acolhimento às vítimas e reduzir os índices de violência. “Essa atuação conjunta de todos os órgãos, planejando como essa mulher será acolhida e de que maneira podemos ajudá-la, é de suma importância. Sentar, identificar os gargalos e discutir como ocupar esses espaços é o caminho para conseguirmos tirar essa mulher do ciclo de violência e diminuir os índices, inclusive de feminicídio”, afirmou.
A major Priscila Megier, do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, destacou que as forças de segurança costumam ser o primeiro contato das vítimas com a rede de proteção e, por isso, a integração entre as instituições é essencial. “Nós somos, muitas vezes, o primeiro contato dessa mulher vítima de violência com a administração pública e com a rede de proteção. Eventos como esse promovem integração entre os agentes de segurança, o Poder Judiciário e o Executivo. Quem ganha com isso é a sociedade, as mulheres e também as instituições, que passam a atuar de forma conjunta”, ressaltou.
A sargento Marineia, da Patrulha Maria da Penha, explicou que o trabalho da equipe ocorre após o registro da ocorrência, acompanhando as mulheres beneficiadas por medidas protetivas. “A atuação da Patrulha Maria da Penha é pós-ocorrência. Depois do boletim de ocorrência e da concessão da medida protetiva, fazemos o acompanhamento da vítima, visitas e a fiscalização do cumprimento dessas medidas. Tem aumentado significativamente a quantidade de medidas protetivas, o que significa que mais mulheres estão denunciando e encontrando coragem para buscar ajuda”, informou.
A coordenadora da Proteção Social Especial (PSE) e Promoção da Igualdade Racial, Marilene Pereira, destacou a importância de garantir que o plano contemple a realidade de todas as mulheres. “É importante que o Plano Decenal aconteça com a participação representativa de todas. Trazer para essa pauta as necessidades vivenciadas pelas mulheres negras, indígenas, quilombolas e de outros grupos vulneráveis fará com que esse plano venha ao encontro das necessidades de todas as mulheres de Sinop”, afirmou.
Encerrando as manifestações, a diretora-executiva da União das Entidades de Sinop (Unesin), Daniela Melhorança, ressaltou o papel da educação, da comunicação e da participação da sociedade no enfrentamento à violência. “Quando falamos de violência contra a mulher, falamos de uma violência que atinge toda a família. Não há como vencer essa batalha sem educação e comunicação. Hoje existe a falsa sensação de que a violência está aumentando, quando, na realidade, ela está sendo exposta, e isso é importante para que seja combatida. A sociedade civil é fundamental para divulgar, fiscalizar, alertar e educar. É uma missão de todos não se calar diante da violência. Esse trabalho é importante porque norteia as atitudes do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil no combate à violência contra a mulher”, concluiu.
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