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Maio Laranja: psicóloga reforça alerta sobre impactos psicológicos do abuso sexual em crianças e adolescentes

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Transtornos de ansiedade, depressão, medo excessivo, isolamento social, alterações no sono e dificuldades emocionais que podem persistir até a vida adulta. Esses são alguns dos impactos psicológicos causados pelo abuso e pela exploração sexual de crianças e adolescentes, realidade enfrentada diariamente pela rede de proteção e evidenciada durante a campanha nacional Maio Laranja. Em Sinop, a mobilização realizada pela Prefeitura – por meio da Secretaria de Assistência Social -, reforça a importância da conscientização, da identificação precoce dos sinais e do fortalecimento da denúncia como instrumento de proteção à infância.

Segundo a psicóloga da Assistência Social e técnica do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Tatiane Favarin, os prejuízos emocionais provocados por esse tipo de violência afetam diretamente o desenvolvimento infantil e podem deixar marcas permanentes quando não há acolhimento e acompanhamento especializado. “Entre os impactos psicológicos estão transtorno de pânico, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático e transtornos depressivos. Essa criança passa a ter medo de pessoas, evita contatos e, sem acompanhamento psicológico e psiquiátrico, esses traumas tendem a persistir”, explica.

Instituído nacionalmente, o Maio Laranja é um movimento de conscientização e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha busca ampliar o debate sobre a violência, orientar famílias, educadores e toda a sociedade sobre formas de prevenção e incentivar denúncias, sobretudo diante de uma realidade que, em muitos casos, permanece invisível dentro dos próprios lares.

Em meio ao trauma, mudanças de comportamento costumam ser os primeiros sinais apresentados pela vítima. Conforme Tatiane, é fundamental que familiares, professores e pessoas próximas estejam atentos ao comportamento da criança ou adolescente. “Essa criança pode passar a ficar mais reclusa, irritada, apresentar queda no rendimento escolar e alterações no sono. Às vezes, dorme demais ou não consegue dormir, justamente pela sensação de medo, ansiedade e pânico. A escola tem um papel fundamental, porque os professores acompanham essa rotina diariamente”, ressalta.

A especialista reforça ainda que o acolhimento familiar é decisivo no processo de recuperação emocional. Segundo ela, crianças e adolescentes que revelam uma situação de abuso precisam encontrar escuta, proteção e confiança, sem julgamentos ou culpabilização. “Quando uma criança revela um abuso, ela precisa ser acolhida. É preciso escutar e acreditar. A criança não mente sobre esse tipo de violência. O acolhimento, o carinho e o acompanhamento ajudam a minimizar os impactos do trauma e favorecem o processo de reconstrução emocional”, afirma.

Outro ponto de atenção destacado pela psicóloga é o aumento dos crimes praticados por meios digitais. Casos de aliciamento, cyberbullying e chantagens sexuais pela internet têm se tornado cada vez mais frequentes, especialmente entre crianças e adolescentes expostos às redes sociais e plataformas digitais.

Segundo Tatiane, muitos agressores utilizam estratégias de manipulação emocional para conquistar a confiança da vítima e iniciar ameaças, utilizando expressões como “esse é o nosso segredo”. “Precisamos ensinar nossas crianças sobre proteção, sobre o próprio corpo e mostrar que segredo não é saudável quando gera medo ou desconforto. Quanto mais diálogo e informação, maior a proteção”, alerta.

Dados acompanhados pela rede de assistência social mostram que a maior incidência de casos atendidos ocorre entre crianças de 0 a 12 anos, faixa etária considerada mais vulnerável. Outro fator preocupante é que, em grande parte das situações, o agressor está inserido no convívio familiar, dificultando a denúncia e prolongando o sofrimento da vítima. “Muitas mães têm receio de denunciar por questões sociais, econômicas e emocionais, e não cabe julgamento. O que precisamos é fortalecer essa mulher e essa família para interromper esse ciclo, porque o agressor dificilmente para na primeira vítima”, pontua.

Em Sinop, o atendimento às vítimas e famílias ocorre por meio do CREAS, que oferece acolhimento e acompanhamento psicossocial especializado. Além da rede municipal de proteção, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, Conselho Tutelar, Delegacia Especializada e plataformas digitais de segurança.

Prefeitura de Sinop

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Concurso premia estudantes de Sinop por produções artísticas em defesa das mulheres

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A Prefeitura de Sinop, por meio da Secretaria Municipal de Educação, realizou nesta sexta-feira (22) a cerimônia de premiação do Concurso Escolar de Expressão sobre a Violência contra a Mulher, integrante do projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”. A iniciativa envolveu estudantes do 1º ao 5º ano da rede municipal de ensino e premiou produções nas categorias desenho, redação, poesia, música e vídeo.

Ao todo, foram entregues 15 premiações principais, contemplando os três primeiros colocados de cada categoria, além de homenagens às escolas participantes e aos professores envolvidos no desenvolvimento das atividades pedagógicas.

A cerimônia reuniu representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de integrantes da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. O concurso foi promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Sinop e o Poder Judiciário de Mato Grosso.

A secretária de Educação, Salete Rodrigues, flou sobre o início do projeto em Sinop, em parceria com o Judiciário. “Esse projeto iniciou em 2025, em parceria com o Judiciário. As doutoras Tatyana e Maria Erotides vieram até Sinop, trouxeram o projeto, fizeram formações com nossas coordenadoras e diretores, e posteriormente o projeto foi desenvolvido em todas as escolas da Rede Municipal. É um tema extremamente importante e muito caro para toda a nossa sociedade”, pontuou.

Ela também destacou o envolvimento dos estudantes nas produções desenvolvidas em sala de aula. “Foram trabalhos lindos, difíceis até de ser selecionados, de uma conscientização imensa às nossas crianças. Hoje aqui vamos apresentar os trabalhos e premiar as crianças que tiveram um melhor desempenho”, acrescentou.

Representando a desembargadora Maria Erotides Kneip, a juíza Tatyana Lopes, idealizadora do projeto, enfatizou que a prevenção começa pela educação e pela mudança de cultura dentro da sociedade. “Tudo começou com um grande sonho. Conversei com a desembargadora Maria Erotides sobre esse trabalho com crianças e adolescentes por meio da produção de textos, vídeos, músicas e poesias. Dessa forma, os estudantes não terão apenas contato com uma palestra, mas serão autores desses projetos”, explicou.

A magistrada também alertou para os altos índices de violência contra as mulheres e reforçou a importância da conscientização desde a infância. “Não basta termos leis mais rígidas. Hoje temos a maior pena do Código Penal, que é a do feminicídio, chegando a 40 anos, e ainda assim tivemos aumento desses crimes. Acreditamos nessa mudança de cultura e a educação é um meio essencial de transformação”, destacou.

Roberto Dorner, prefeito de Sinop, destacou o compromisso da gestão municipal com ações de proteção às mulheres. “A gente vem trabalhando desde o começo da gestão para cuidar das mulheres. A Prefeitura de Sinop sempre foi contra a violência e agressões contra as mulheres. Tanto é que criamos uma lei, dentro do município, que o agressor de mulheres que for condenado não pode trabalhar no poder público municipal, justamente para proteger mais as mulheres. Cada ação que é feita em prol da mulher vai ajudando a acabar com essa triste situação”, afirmou.

A vereadora Sandra Donato, representando o Poder Legislativo, também reforçou a relevância da iniciativa e o apoio da Câmara Municipal às ações de conscientização. “Todas as ações perpassam pela educação. Nós temos que ensinar as nossas crianças desde pequenas. Esse projeto que a desembargadora trouxe para Mato Grosso está reverberando positivamente, para que as crianças possam refletir sobre o tema”, comentou.

Sandra acrescentou o envolvimento do Legislativo Municipal. “A Câmara de Vereadores vem auxiliando esse projeto, por meio da Procuradoria da Mulher, com a divulgação e o apoio, fazendo com que o projeto atinja os quatro cantos da cidade”, afirmou.

A coordenadora da Coordenadoria de Políticas Públicas contra a Violência às Mulheres, Professora Branca, lembrou que ações educativas são fundamentais no combate ao feminicídio. “A única saída que eu vejo é através da educação, da formação, para que daqui a alguns anos possamos diminuir a agressão contra as mulheres e o feminicídio. Hoje são os filhos que estão educando os pais, mudou-se bastante a cultura da formação dentro de casa, e os pais escutam muito os filhos”, declarou.

Entre os estudantes premiados, a aluna Martha Agatha Gomes Aquino, da EMEB Rodrigo Damasceno, conquistou o primeiro lugar na categoria poesia. “O que me inspirou foram alguns vídeos que a gente assistiu falando sobre o assunto. Eu gostei quando soube que fui premiada. Eu não estava esperando, tomei até um susto quando minha mãe me avisou”, relatou.

A estudante também destacou a importância de discutir o combate à violência contra a mulher. “A cada pouco tempo uma mulher morre ou é agredida, então é importante falar sobre isso e dar atenção à violência contra a mulher”, acrescentou.

Durante o evento, os alunos vencedores apresentaram algumas das produções premiadas, incluindo leitura de redação, poesia e apresentação musical.

Escolas premiadas no concurso

Receberam premiações ou tiveram estudantes classificados entre os vencedores as seguintes unidades escolares:

  • EMEB Jurandir Liberino de Mesquita
  • EMEB Aleixo Schenatto
  • EMEB Sadao Watanabe
  • EMEB Lizamara Aparecida Oliva de Almeida
  • EMEB Rodrigo Damasceno
  • EMEB Leni Terezinha Benedetti
  • Centro Educacional Lindolfo José Trierweiller
  • EMEB Basiliano do Carmo de Jesus
  • EMEB Vereador Rodolfo Valter Kunze

Além das escolas vencedoras nas categorias principais, outras unidades da rede municipal também participaram do projeto e receberam 526 medalhas para premiação dos estudantes classificados na etapa escolar.

Prefeitura de Sinop

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