Sinop
Projeto de leitura conecta alunos de escola municipal a ilustradora brasileira que vive nos Estados Unidos
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A iniciativa foi conduzida pela pedagoga Paula Froes que todos os anos seleciona novas obras e autores para incentivar o hábito da leitura entre os estudantes. Neste ano, ao assumir uma turma de quinto ano, a professora buscou um título que despertasse ainda mais o interesse dos alunos pela leitura. Foi assim que conheceu a coleção “O Diário de Pilar”, e percebeu que a leitura também era acessível aos estudantes do 3º.
“A capa do livro me chamou a atenção pelo colorido e, a obra, pela proposta. Achei que seria uma leitura interessante para as crianças”, explicou a educadora, que decidiu entrar em contato com a ilustradora pelas redes sociais e contar do projeto que era desenvolvido. Na ocasião, Joana, que atualmente vive na Califórnia (EUA), respondeu à mensagem e demonstrou interesse no projeto, sugerindo inicialmente enviar um vídeo de incentivo à leitura. No decorrer das atividades, os alunos recriaram as capas do livros. “Mais tarde, quando enviei os desenhos das crianças, ela propôs realizarmos uma live com a turma”, relatou.
De acordo com Paula, a iniciativa de entrar em contato com a ilustradora foi mostrar para os próprios alunos que era algo alcançável. “O meu intuito de entrar em contato com ela foi trazer para eles que era real, pois eles têm muito a visão do autor e da ilustradora como uma entidade distante, inacessíveis para a realidade deles, dado que eu dou aula para uma escola afastada do centro, em uma cidade do interior. Então, para eles é algo muito distante. […] Foi uma forma de aproximar”, acrescentou.
A transmissão aconteceu na manhã da última quarta-feira (08), de forma surpresa para os alunos, que ficaram encantados ao conhecer uma das artistas responsáveis pela obra que estavam estudando. “Era surpresa. Primeiro, para não criar ansiedade nas crianças principalmente porque ela, em específico, mora nos Estados Unidos. Eu sempre leio a biografia dos escritores e ilustradores, então, eles achavam que era algo impossível [o encontro] pela distância […]. Eles ficaram maravilhados. Foi um momento mágico”, detalhou.
Durante a conversa, a ilustradora mostrou objetos, explicou o processo de criação das imagens e contou curiosidades sobre o livro. A experiência despertou nos alunos um novo olhar sobre a literatura e sobre o trabalho artístico por trás de cada página. “Eles ficaram maravilhados. Ficaram meio incrédulos. Mas ficaram encantados com o processo de criação. Eles pensavam que fosse mais fácil criar imagens, as ilustrações. E foi um processo muito rico culturalmente, porque ela foi trazendo elementos, explicando cada detalhe do livro e eles foram entendendo como se cria um livro, como se desenha, como surgem as ideias. Eu acredito que ampliou esse imaginário deles de como os livros são criados”, avaliou.
Para a professora, o apoio da equipe de educação foi fundamental para que o momento acontecesse. “Gostaria de agradecer a Ana minha estagiária e parceira que ajuda com as crianças todos os dias, aos gestores Ednaldo Saran, Irene Motta Derney, Tallita Lima e Eliane Brasil. Agradeço também a presença da Vilma e da Fran, que estiveram em sala representando a Secretaria de Educação e, claro, a ilustradora Joana Penna, por ter reservado esse espaço para esse encontro com os alunos”, finalizou.
Sinop
Prefeitura de Sinop reúne instituições para construir Plano Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher
A Prefeitura de Sinop, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres e da Secretaria de Assistência Social, promoveu um importante encontro, na manhã de hoje (17), com o objetivo de construir propostas para o Plano Municipal de Metas para o Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Participaram da agenda representantes de Secretarias Municipais, Conselhos, Forças de Segurança, Justiça, Sociedade Civil Organizada, além da Rede de Enfrentamento.
Os participantes foram distribuídos em grupos de trabalho, de acordo com a afinidade de atuação de cada um, para discutir os quatro eixos temáticos do Plano: Educação e Comunicação; Atendimento e Segurança Pública; Justiça e Atenção às Vítimas; e Governança.
A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Professora Branca, destacou que a elaboração do plano é uma responsabilidade compartilhada entre o município e as instituições que atuam na rede de proteção. “Estamos reunidos com representantes de várias instituições, do campo e da cidade, associações e órgãos de segurança para debater o Plano Decenal. Essa junção de trabalho, dentro dos quatro eixos propostos pelos planos Nacional e Estadual, está sendo discutida hoje com pessoas relevantes para nos ajudar a controlar esse índice que tem preocupado a gestão e toda a sociedade. Finalizadas as ações, metas e indicadores, o plano será encaminhado ao prefeito para formalização por Decreto e, posteriormente, ao Estado”, explicou.
A gestora de Programas e Projetos, Lauren Menegon, ressaltou que o planejamento será fundamental para ampliar o acesso a investimentos voltados às políticas públicas para as mulheres. “A elaboração desse plano em conjunto com o plano de metas do Governo do Estado é muito importante porque servirá como nosso guia norteador de ações, permitindo buscar recursos junto ao Governo do Estado e ao Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres. O município já desenvolve diversas ações voltadas a essa pauta, mas sabemos que, sem recursos, a execução se torna mais difícil”, afirmou.
Para a presidente da Rede de Enfrentamento, Eliane dos Santos, a ampla participação das instituições demonstra o comprometimento dos agentes e fortalece o planejamento das ações. “Temos aqui diversos representantes das instituições que integram essa rede. Isso mostra a sua força. Não basta apenas realizar as ações, é preciso planejar, colocar no papel, monitorar e avaliar o trabalho. Todas as instituições estão engajadas para enfrentar e combater essa situação de violência, e o resultado virá. Além disso, temos um forte trabalho preventivo com crianças e adolescentes para construir um futuro com menos violência”, destacou.
Representando o Ministério Público de Mato Grosso, o promotor de Justiça, Dr. Pedro Figueiredo, enfatizou que o plano busca garantir a continuidade das políticas públicas, independentemente das gestões. “O Ministério Público ressalta a importância da proteção da mulher em situação de violência doméstica. Estamos construindo um plano de dez anos focado no interesse público, sem pessoalizar ações. O município só tem a ganhar, especialmente as mulheres. Em Sinop existe uma Rede de Enfrentamento muito ágil, muito atuante e conectada para a proteção das vítimas de violência doméstica”, enalteceu.
A delegada da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Dra. Renata Evangelista, reforçou que o planejamento permitirá aperfeiçoar o acolhimento às vítimas e reduzir os índices de violência. “Essa atuação conjunta de todos os órgãos, planejando como essa mulher será acolhida e de que maneira podemos ajudá-la, é de suma importância. Sentar, identificar os gargalos e discutir como ocupar esses espaços é o caminho para conseguirmos tirar essa mulher do ciclo de violência e diminuir os índices, inclusive de feminicídio”, afirmou.
A major Priscila Megier, do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, destacou que as forças de segurança costumam ser o primeiro contato das vítimas com a rede de proteção e, por isso, a integração entre as instituições é essencial. “Nós somos, muitas vezes, o primeiro contato dessa mulher vítima de violência com a administração pública e com a rede de proteção. Eventos como esse promovem integração entre os agentes de segurança, o Poder Judiciário e o Executivo. Quem ganha com isso é a sociedade, as mulheres e também as instituições, que passam a atuar de forma conjunta”, ressaltou.
A sargento Marineia, da Patrulha Maria da Penha, explicou que o trabalho da equipe ocorre após o registro da ocorrência, acompanhando as mulheres beneficiadas por medidas protetivas. “A atuação da Patrulha Maria da Penha é pós-ocorrência. Depois do boletim de ocorrência e da concessão da medida protetiva, fazemos o acompanhamento da vítima, visitas e a fiscalização do cumprimento dessas medidas. Tem aumentado significativamente a quantidade de medidas protetivas, o que significa que mais mulheres estão denunciando e encontrando coragem para buscar ajuda”, informou.
A coordenadora da Proteção Social Especial (PSE) e Promoção da Igualdade Racial, Marilene Pereira, destacou a importância de garantir que o plano contemple a realidade de todas as mulheres. “É importante que o Plano Decenal aconteça com a participação representativa de todas. Trazer para essa pauta as necessidades vivenciadas pelas mulheres negras, indígenas, quilombolas e de outros grupos vulneráveis fará com que esse plano venha ao encontro das necessidades de todas as mulheres de Sinop”, afirmou.
Encerrando as manifestações, a diretora-executiva da União das Entidades de Sinop (Unesin), Daniela Melhorança, ressaltou o papel da educação, da comunicação e da participação da sociedade no enfrentamento à violência. “Quando falamos de violência contra a mulher, falamos de uma violência que atinge toda a família. Não há como vencer essa batalha sem educação e comunicação. Hoje existe a falsa sensação de que a violência está aumentando, quando, na realidade, ela está sendo exposta, e isso é importante para que seja combatida. A sociedade civil é fundamental para divulgar, fiscalizar, alertar e educar. É uma missão de todos não se calar diante da violência. Esse trabalho é importante porque norteia as atitudes do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil no combate à violência contra a mulher”, concluiu.
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