Primavera do Leste
Conselho Estadual de Direitos Humanos reconhece atuação da UPA de Primavera do Leste no atendimento a indígenas
Primavera do Leste
Na tarde da quinta-feira (25), o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso, Wesley da Mata, esteve em Primavera do Leste para levantar informações a respeito de denúncias recentes veiculadas em um site da capital, sobre negligência com indígenas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. O material publicado mencionava suposto mau atendimento por parte dos servidores, inclusive citando mortes de três indígenas ao longo deste ano.
Recebido pela coordenadora da UPA, Maria Isabel Lourenço, o diretor técnico, médico Cariolano Sobrinho e pela responsável técnica de Enfermagem, Veridiane Guillande, Wesley pôde verificar que a realidade é diferente do que foi noticiado. Durante a reunião, foi apresentado um amplo relatório, assinado também pela secretária Laura Leandra, que comprova o compromisso da equipe com a saúde indígena: somente até agosto de 2025, mais de 1.060 indígenas já foram atendidos pela UPA de Primavera do Leste, mesmo sendo pacientes que residem em municípios vizinhos como General Carneiro, Poxoréu e Novo São Joaquim.
Deste total 419 foram mantidos em observação ou foram encaminhados a hospitais da cidade, sendo que crianças no total foram 102 mantidas em observação, bem como 16 adultos. As transferências hospitalares foram 239 e transferências para UTI totalizaram 62, sendo que os óbitos ocorridos neste ano não decorreram de falha da Unidade.
Mas o ponto principal destacado é que muitos pacientes encaminhados pelo Departamento de Saúde Indígena (DSEI) já chegam em condições graves, com a doença já avançada e tudo agravado pelas condições de transporte longínquo (em alguns casos pode ultrapassar três horas de viagem a depender da localização da aldeia dentro da Reserva.
E ainda assim, todos recebem atendimento imediato conforme a gravidade dos casos, sendo que na grande maioria dos casos também não chegam estabilizados. “Nosso compromisso é garantir a vida. Seguimos todos os protocolos de urgência e emergência e prestamos assistência integral a todos os pacientes que chegam até aqui”, afirmou a coordenadora Isabel.
O relatório consistente também reforça que os cuidados dentro da Reserva, nas aldeias, feito pela DSEI, necessita ser melhorado tendo em vista o estado em que muitos pacientes chegam até a UPA: crianças com desnutrição severa e desidratação grave, frequentemente em riscо iminente de óbito; adultos jovens geralmente apresentam quadros de sépse, insuficiência renal aguda e distúrbios hidroeletrolíticos severos; e os idosos frequentamente apresentam descompensações de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, tuberculose);
Diante de todo este quadro, ao final da visita, Wesley da Mata reconheceu a seriedade do trabalho desenvolvido pela equipe local e ressaltou a importância de ampliar o diálogo entre o município, o Conselho Municipal de Saúde, o DSEI e a regional da Funai para fortalecer ainda mais o atendimento aos povos indígenas. Ele afirmou que levará todas as informações e contrapontos à plenária do Conselho, para discussão, avaliando que é necessário um trabalho integrado entre todas as esferas.
Ao mesmo tempo a coordenadora da Unidade de Pronto Atendimento pontuou que a presença do Conselho Estadual foi importante para mostrar transparência e a dedicação da gestão com toda a população. “Primavera do Leste não possui área indígena, mas mesmo assim nossa UPA tem sido referência nesse acolhimento, com atendimento humanizado e de qualidade”, reforçou.
Prefeitura de Primavera do Leste
Primavera do Leste
Após incêndio, Prefeitura avança em plano para recuperação do antigo aterro sanitário de Primavera do Leste
A Prefeitura de Primavera do Leste, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de Infraestrutura, segue monitorando o antigo aterro sanitário do município após o incêndio registrado no último sábado (18). As equipes permanecem atuando no local com ações de rescaldo, monitoramento dos pontos de calor e planejamento das próximas etapas para recuperação definitiva da área.
O incêndio teve início após faíscas provenientes de uma rede elétrica atingirem a vegetação seca, favorecidas pelas altas temperaturas, baixa umidade do ar e ventos intensos. As chamas alcançaram um ecoponto de pneus existente no local. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, os pneus eram armazenados temporariamente até a retirada por empresa especializada, porém houve redução na demanda da indústria recicladora, aumentando o tempo de permanência do material.
O combate às chamas mobilizou uma força-tarefa formada pela Prefeitura, Corpo de Bombeiros, empresas parceiras e voluntários. A operação durou aproximadamente 10 horas e conseguiu controlar o incêndio antes que ele atingisse outras áreas, evitando danos ambientais ainda maiores.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Rocha, os trabalhos agora se concentram na estabilização da área e na preparação para o início da recuperação ambiental.
“Nós vamos fazer essa ação essa semana agora, que é o trabalho de aguardar o resfriamento. Depois disso fazer a limpeza da área, demolir o barracão que ficou condenado com a queima, fazer o aceiro e continuar todo esse trabalho de prevenção. Esse antigo lixão está vivendo seus últimos meses como área de transbordo e ecoponto de pneus, porque já existe um PRAD, um Plano de Recuperação de Área Degradada, protocolado na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, aguardando apenas análise e aprovação. Esse plano vai definir todas as ações necessárias para a recuperação definitiva da área”, explicou.
Segundo o secretário, o Plano de Recuperação de Área Degradada prevê uma série de intervenções técnicas, como a retirada de estruturas remanescentes, limpeza completa do terreno, nivelamento da área, plantio de grama em toda a extensão do antigo lixão, instalação de chaminés para liberação controlada dos gases produzidos pelos resíduos e construção de bacias de contenção para o chorume gerado durante os períodos chuvosos.
A proposta também contempla o isolamento total da área e sua readequação ambiental, seguindo todas as exigências dos órgãos competentes.
Paulo Rocha destacou ainda que o município já trabalha na futura concessão da gestão dos resíduos sólidos, que deverá contemplar a implantação de um novo aterro sanitário licenciado em um raio de até 20 quilômetros de Primavera do Leste.
“A empresa concessionária deverá adquirir uma área, construir um aterro sanitário dentro de todas as normas técnicas e ambientais e também executar o PRAD do antigo lixão. Com isso, Primavera deixará de transportar seus resíduos para outro município e passará a contar com uma estrutura própria, moderna e ambientalmente adequada”, afirmou.
Atualmente, o município não possui aterro sanitário em operação. O espaço existente funciona apenas como área de transbordo temporário, onde os resíduos permanecem por até 24 horas antes de serem encaminhados para um aterro licenciado em outro município.
A Prefeitura reforça que continuará acompanhando permanentemente a área atingida pelo incêndio e executando medidas preventivas para evitar novos focos, especialmente durante o período de estiagem, quando o risco de queimadas é significativamente maior. Além disso, a gestão municipal reafirma o compromisso com a recuperação ambiental do antigo aterro sanitário e com a implantação de uma solução definitiva para a destinação dos resíduos sólidos em Primavera do Leste.
Prefeitura de Primavera do Leste
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